EDUCAÇÃO DAS RELAÇÕES - Artigo

EDUCAÇÃO DAS RELAÇÕES: “Amarás teu próximo como a ti mesmo”

Se perguntarmos a qualquer cristão quais os principais mandamentos da lei divina, indubitavelmente, a resposta será: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com toda a tua força. E o segundo mandamento é amarás teu próximo como a ti mesmo (Mc 12,30-31).” Esses ensinamentos estão presentes na tradição religiosa judaico-cristã há milhares de anos e foram transmitidos pelas religiões cristãs ao longo da história.

Não podemos esquecer que fazemos parte da grande teia da vida. Uma teia constituída de relações múltiplas e simultâneas, ligando cada um dos seres da criação entre si. O que faz com que o dano causado a uma das partes afete o todo em cadeia. Tal convocação nos coloca em um contexto de vínculos profundos com o Eterno, com o “Tudo em todos” e o” todos em UM”. Amar é, portanto, o maior vínculo que somos capazes de estabelecer. É o vínculo da responsabilidade e do cuidado, o que nos garante a salvação e a vida eterna.

Entretanto, a nossa vivência cotidiana tem nos mostrado o quanto nossas relações são marcadas pelos valores hegemônicos da ótica neoliberal. A liberdade individual, a propriedade privada, a competição e a igualdade formal e não real são princípios preponderantes. Nessa sociedade, o individualismo, o egocentrismo e o hedonismo são marcas fortes na constituição dos sujeitos, cujo modo de vida exige cada vez mais relações predatórias e de superação do outro.

É comum ouvirmos das famílias, ao pensarem sobre a educação dos filhos, que precisam de “uma escola que prepare seu(sua) filho(a) para competir na sociedade porque ele(ela) tem que ser o(a) melhor”. Perguntamos: é possível ser o(a) melhor? Melhor em tudo? Ser o(a) melhor para quem e para quê? Esse é um propósito de domínio e gera, necessariamente, intolerância, insensibilidade, sobreposição, exploração, discriminação e exclusão.

Se nos colocarmos como cristãos e como participantes da construção do Reino de Deus, reino de amor, de justiça e de paz, pensaremos na educação das nossas crianças, adolescentes e jovens como um fator imprescindível para a mudança no nosso modo de ser, de conviver, de aprender e de fazer. Pensaremos em uma educação verdadeiramente evangélica, na qual o amor é traduzido em gestos concretos de cooperação, de gentileza, de ternura, de superação dos próprios limites e do cuidado consigo e com o outro. Nesse sentido o conhecimento científico não exclui os demais saberes, os quais serão construídos por uma pedagogia biófila e inclusiva que fomenta a comunicação, a partilha, a problematização, os relacionamentos interpessoais e o entusiasmo pela vida plena.

Rogener Costa

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